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Minsur fecha aquisição de US$ 400 milhões no Brasil


Em meio à crise financeira mundial, ontem a mineradora peruana de estanho Minsur S.A. concluiu um negócio de US$ 400 milhões (R$ 850 milhões) no Brasil - pagou cerca de US$ 215 milhões em dinheiro, pelo câmbio do dia, e assumiu dívidas avaliadas em US$ 175 milhões. O dinheiro foi direto para a conta da Paranapanema, que vendeu seus ativos de produção de estanho no Norte do país e em São Paulo à companhia peruana, terceira maior do mundo na extração e refino desse metal.

Fortunato Brescia Moreyra, diretor executivo da Minsur, mostrava bastante otimismo ontem pela manhã em São Paulo antes de ir ao banco fazer o pagamento. "Quando acertamos a compra, em 19 de setembro, o cenário da crise mundial era menos sombrio que atualmente, mas mesmo assim vemos nessa aquisição uma grande oportunidade de expansão, pois fazemos investimentos olhando, sempre, no longo prazo", afirmou ao Valor.
  Davilym Dourado/valor

Fortunato Brescia, diretor executivo, diz que aquisição de mina no Brasil foi grande oportunidade. "Olhamos sempre no longo prazo, por isso estou otimista"

Para Brescia, a Mineração Taboca, que extrai minério de estanho em plena Amazônia desde os anos 80, surgiu como uma boa oportunidade dentro do negócio de estanho, no qual o grupo detém 12% do mercado mundial com suas operações no Peru. "É a mais importante do Brasil e bem significativa no mundo". Segundo o executivo, a mina brasileira, que hoje faz em torno de 7 mil toneladas de metal por ano, tem um potencial que permite exploração durante 20 a 25 anos.

Aos 49 anos, o executivo leva o nome de seu avô, um imigrante italiano da região de Liguria que fez fortuna no Peru e fundou o grupo Brescia várias décadas atrás. Fortunato, o neto, dirige a principal companhia do conglomerado empresarial que atua em 15 diferentes negócios - de atividades imobiliárias a bancos, seguros, hotéis, pescado até fabricação de pisco, uma tradicional bebida peruana. De capital aberto na Bolsa de Lima, a Minsur faturou US$ 530 milhões no ano passado e neste prevê superar a marca de US$ 600 milhões.

O comando do grupo está a cargo do pai, conhecido como Dom Mário, e do tio, Pedro. Dois irmãos e um primo-irmão estão à frente de outros negócios.

A Minsur extrai seu minério nos Andes, entre 4,5 mil e 5 mil metros de altitude, em uma mina subterrânea. De lá, leva por ano 37 mil toneladas de metal contido em concentrado numa viagem de 900 km para refino do material em sua metalurgia na costa do Pacífico, 200 km ao sul da capital Lima. No Brasil, o minério da mina Pitinga, no Amazonas, também faz uma longa jornada até chegar à fundição da Mamoré, subsidiária da Taboca, para se transformar em estanho metálico, em Pirapora, região metropolitana de São Paulo.

O investimento no Brasil é o primeiro passo de internacionalização da Minsur. "No negócio de estanho, seria natural que fôssemos para a Bolívia, onde há muitas reservas do metal, mas o Brasil se mostrou mais atrativo por ser um país com economia (e politicamente) mais estável que a Bolívia". A seu ver, Brasil e Peru têm muitas coisas em comum atualmente. Mencionou que várias empresas, como Votorantim, Gerdau e Vale do Rio Doce investiram em seu país e que bancos brasileiros já estudam ativos financeiros por lá.

Os dois primeiros anos no Brasil, informou Brescia, serão para avaliar os ativos adquiridos e melhorar suas operações para ganhar mais eficiência e competitividade. "Depois virão projetos de expansão", disse. Um dos objetivos é ampliar a participação de nióbio e tântalo na receita da Taboca. Hoje, estanho responde por 80%. "No futuro, deverá ficar com 55% a 60%".

A jazida de Pitinga tem a vantagem de ser polimetálica: além do estanho contém nióbio, tântalo, columbita, criolita e urânio. Este último mineral é repassado à União, detentora dos direitos. O executivo acredita que os preços do estanho não deverão sofrer tanto como outros metais nesse período de recessão econômica mundial. "Vou me surpreender se em 2009 ficarem abaixo de US$ 12 mil a tonelada". Atualmente, é de US$ 14 mil. Ele observa que oferta e demanda estão bem apertadas e que há poucos novos projetos previstos no futuro. Os estoques na LME [Bolsa londrina de metais] são de 4 mil toneladas. E China e Índia, como potências emergentes, terão de seguir crescendo. "Sou otimista no longo prazo", afirmou.

Jornal Valor Econômico - Ivo Ribeiro
14/11/2008